Usaram todos os tipos de armas. Pressionaram e extorquiram. Tentaram e conseguiram, em parte, desviar a verdadeira discussão. O debate sempre foi entre o aborto legalizado ou clandestino. Uma questão de saúde pública que levaram ao campo das crenças ou pseudofilosofias, tentando impor seu pensamento além da discussão sobre o aborto. Porque, por trás desse debate, há um mais abrangente, que tem a ver com o papel das mulheres na sociedade. Aqueles que se opõem à lei pretendem, em sua maioria, que se imponha o modelo de mulher incubadora, incapacitando-a de tomar suas decisões. Negando-lhe, além disso, seu próprio prazer. A todos eles dizemos que, na realidade, ganham só aquelas que formam o movimento de mulheres. E o tempo vai provar isso.
Durante meses, ouvimos em ambas as câmaras especialistas (cientistas, médicos, advogados, representantes dos diferentes cleros, artistas) que eram a favor e contra o projeto. A meia-sanção foi alcançada na Câmara dos Deputados, e as mudanças no projeto original foram aceitas para que pudesse ser lei no Senado. Tivemos disposição para o diálogo e o consenso. Os que são contra não propuseram nenhum projeto alternativo ou uma proposta séria para resolver a problemática da clandestinidade e da consequente morte das mulheres. Disseram disparates como "o profilático não serve e não deve ser usado" para considerar a síndrome de Down como uma doença.

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