quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Alunos de escola agrícola fazem biodigestor para produção de biogás

Os alunos José Cleomadson da Silva e Henrique Silva Santos, da Escola Família Agrícola de Ladeirinhas, em Japoatã, concluíram a construção de um biodigestor, equipamento utilizado para o processamento de matéria orgânica, com a capacidade de produzir biogás e fertilizantes. O projeto foi desenvolvido com a orientação do professor Sérgio Cardoso Borges e fez parte da finalização do Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio em regime de internato. Os dois estudantes são bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica aos estudantes de Ensino Médio (Pibic Jr).


Para a construção do biodigestor, os alunos contaram com algumas parcerias, como a administração da escola, o pai de um dos estudantes, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Movimento Pequeno Agricultor (MPA), Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e prefeituras de Japoatã e Japaratuba. Durante os últimos dois anos, os estudantes, orientador e entidades parceiras se mobilizaram entre reuniões, solicitação de peças, arrecadação de verbas e desenvolvimento do projeto. Já a construção do biodigestor durou cerca de duas semanas, sendo finalizada neste mês de dezembro.

O equipamento, que está instalado em um local a 12 metros da cozinha da escola, vai ajudar a reduzir os gastos da própria unidade de ensino. “O biodigestor vai servir para produzir gás para o fogão e biofertilizantes para adubar as plantas daqui da escola. Além disso, esse é um projeto de tecnologia social, pois com esses conhecimentos, poderão ter a oportunidade de gerar emprego e renda para eles mesmos”, disse o professor e orientador Sérgio Borges.

O diretor da escola, Carlos Wagner dos Santos, falou sobre a importância do projeto. “Esperamos com isso obter uma economia considerável no consumo de gás e obter biofertilizante para utilizar na horta da escola. O mais importante na verdade é o conhecimento adquirido por esses alunos e demais colegas que deram apoio ao projeto, que denominamos na pedagogia da alternância de Projeto Profissional do Jovem”, disse.

Conhecimentos e habilidades

Os alunos que construíram o biodigestor ressaltaram que o desenvolvimento do projeto trouxe muitos conhecimentos e novas habilidades. “Passamos por dificuldades, debatemos muito com a escola, fizemos reuniões e, com isso, aprendemos a nos relacionar com os outros. O projeto nos trouxe benefícios financeiros, pois ganhamos a bolsa do PIBIC Jr, mas também conhecimentos científicos, pois tivemos que pesquisar bastante sobre o biodigestor. Nós aprendemos com a teoria e com a prática”, disse Henrique Santos.

A mesma opinião foi compartilhada por seu colega, Cleomadson da Silva. “Além de reduzir os gastos da escola, esse projeto interdisciplinar nos trouxe mais informações, pois aplicamos nele os conhecimentos aprendidos em Química, Física e Biologia. O biodigestor é uma tecnologia social e inovadora, que vai ajudar a escola e toda a comunidade”, declarou.

Segundo o professor Sérgio Borges, a ideia do projeto surgiu logo no início do curso, período em que os alunos são estimulados a pensar sobre o projeto que irão desenvolver para a conclusão do curso. Ele acredita que, em Sergipe, a Família Agrícola de Ladeirinhas seja a única unidade de ensino que possui um biodigestor.

Além de beneficiar a escola com a redução de custos com a produção de gás e fertilizantes, a atividade agregou bastantes conhecimentos aos estudantes. “Eles adquiriram conhecimentos em todas as áreas do ensino básico e do ensino técnico, e colocaram em prática as suas habilidades. Os alunos agora sabem fazer um biodigestor em qualquer lugar. Essa é a ideia da pedagogia da alternância, aliar a teoria e a prática, colocando para os jovens a oportunidade de trabalho e renda”, explicou.

Escola Família Agrícola de Ladeirinhas

A unidade escolar funciona em regime de comodato com o Estado, Associação Mantenedora da Escola Família Agrícola de Ladeirinhas “A” (Amefal), movimentos sociais, a exemplo do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento dos Sem-Terra (MST), da Rede das Escolas de Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido Baiano (Refaisa), Cáritas Propriá, Embrapa, IFS São Cristóvão e Codesvasf.

Atualmente são 67 estudantes cursando os ensinos Médio e Técnico integrados. Os alunos ingressam na escola no 1º ano em semi-internato e para terminarem o curso de Agropecuária têm que realizar um Projeto Profissional Jovem (PPJ).

A didática utilizada na escola é a denominada Prática Pedagógica da Alternância, na qual se utiliza uma série de ferramentas práticas. “É um curso técnico de Agropecuária com internato em regime de alternância. A ideia é de que quem ingresse na escola traga demandas da comunidade. Eles têm a contribuição dos professores e retornam para a comunidade com alguma ação proposta na escola”, explicou Carlos Wagner dos Santos, diretor da unidade escolar.

Fonte: ASN


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